Políticos exigem royalties de marchas contra corrupção

Marcha do povo contra a corrupção.

O DNIT anunciou que duplicará todas as vias usadas pelos manifestantes. Segundo o superintendente do órgão, as obras começarão assim que os primeiros cem milhões de reais forem desviados.
ECAD – Em ação coletiva impetrada ontem no STF, políticos brasileiros de vários matizes ideológicos, bem como uma plêiade de assessores parlamentares, parentes e amigos de senadores e ministros, se uniram contra os organizadores das diversas marchas contra a corrupção.
Oscar Jucá Neto, o Jucazinho, irmão do Senador Romero Jucá e um dos impetrantes, explicou à imprensa as razões da ação civil: “Eles estão usando a nossa obra para organizar convescotes festivos. Nós não somos consultados e ficamos a ver navios. Outro dia mesmo os hotéis tiveram de pagar direitos autorais por causa da música ambiente nos quartos. Exigimos o mesmo tratamento. A cada vez que citarem o desvio de verbas no DNIT, por exemplo, achamos justo que algum numerário em moeda forte seja depositado no Principado de Luxemburgo ou nas Ilhas Jersey.”
Jucazinho cita o seu caso como exemplar. Segundo ele, desde jovem vem se esmerando em criar confusão por onde passa. Depois de quebrar o restaurante da família, o irmão do senador – que, como frisa, jamais possuiu qualquer qualificação profissional – foi capaz, às custas de muito esforço, de deixar sua marca entrópica na Infraero, de onde foi demitido; tenaz e sem temer os grandes embates, levou então a sua expertise para a diretoria financeira da Conab, empresa estatal que ainda se recupera do pagamento irregular de R$ 8 milhões a uma empresa de silos de Goiás, autorizado por ele. “Nunca esmoreci, nunca descansei, nunca dei minha obra por acabada”, declarou Jucazinho, com emoção. “E agora vão vender faixas às minhas custas?”, protestou, crispado.
Jader Barbalho, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Delúbio Soares, Marcos Valério, Silvinho da Land Rover, Fernando Collor, Roseana Sarney, entre outros, prestaram solidariedade a Jucazinho. Em declaração contundente, exigiram o direito de superfaturar cartazes em favor da ética e desviar 30% das verbas destinadas à compra de narizes de palhaço. “Temos de pensar na aposentadoria do ministro Pedro Novais, que já não é um jovenzinho. No turismo, por mais que se trabalhe qualificando empresas fantasmas de treinamento de pessoal, não se faz um grande pé de meia. No máximo, compra-se um conjugado em Miami.”

Fonte: Revista Piauí